| marcelo's profileAventura DoutoralPhotosBlogLists | Help |
|
|
10/24/2008 UM DOUTORANDO DESLIGADO DO MUNDOJá tem um bom tempo que não paro para assistir jornal. Para dizer a verdade, ando desligado das notícias jornalísticas. Acho até que existe certo prejuízo da minha parte por não estar acompanhando e me inteirando das coisas que são veiculadas pela grande mídia. Entretanto, sinto também que estou, digamos, meio “purificado” do jogo do vai-e-vem que a mídia televisa faz com as informações e com as emoções dos telespectadores, que são quase sempre manipuladas. Estamos vivendo uma crise financeira em escala mundial. Este tem sido o grande tema dos jornais, da mídia em geral. Uma crise que se iniciou no E.U.A. e que foi na verdade anunciada alguns meses atrás. Uma crise que se desencadeou a partir do mercado imobiliário por causa das especulações, das aplicações e das jogadas financeiras. Isto significa dizer que a crise é oriunda não de uma causa concreta por causa, por exemplo, de um desastre natural que afetou algum nível da escala produtiva. A crise é virtual! A crise foi inventada! Esta é a realidade. Além disso, a crise tem sido muito lucrativa para alguns grupos. Bem, o que quero comentar não é necessariamente sobre a análise ou minha opinião analítica dessa crise. O que quero comentar é que me faz bem estar longe da mídia que parece jogar com a tensão da crise. Eu, particularmente, acho que a crise seria muito menos crise se não fosse a amplificação que a mídia tem feito. Eis um dos grupos que parece lucrar com essa tal de crise! 8/12/2008 CANCELAMENTO DO VÔOEu sei que está meio defasado falar do meu último retorno do Canadá, mas como a falta de tempo só me permitiu narrar o acontecimento agora... Bem, eu queria voltar para o Brasil alguns dias depois da minha apresentação, mas isso não foi possível porque havia comprado a passagem na promoção. Resultado: tive que esperar até o dia 07. Saí de Montreal para Toronto no horário previsto (20h), mas quando estava para fazer o novo embarque para o Brasil, a AIR Canadá avisou que o vôo tinha sido cancelado! E agora?! Havia um grande número de brasileiros meio que confusos no enorme aeroporto de Toronto. Lembro-me de duas senhoras que não sabiam falar uma palavra em inglês (o meu inglês é praticamente inexistente, mas falava em francês. O problema era encontrar um canadense de Toronto que falasse francês!). Na verdade, só alguns poucos sabiam falar alguma coisa. O grupo quase como um todo estava perdido. Depois de algumas dificuldades ficamos sabendo com a companhia área que iria nos hospedar no Sheraton (um hotel muito bacana que fica próximo ao aeroporto). O problema é que o grupo era grande e as dúvidas quanto ao local, como chegar ao hotel, como voltar, aonde comer... eram também abundantes. Durante toda a confusão de levar malas para um lado e para o outro me dei conta da solidariedade que havia entre nós, brasileiros. Sem nos conhecermos anteriormente estabelecemos de imediato uma relação de ajuda, de amizade, de carinho e acolhimento uns em relação aos outros. Isto foi um alento aos sentimentos que eu estava experimentando em relação ao meu país, ao meu povo. Estava com muita vergonha da nossa corrupção e das nossas violências quando algum estrangeiro confrontava essas situações. Finalmente, 6 horas da manhã do dia 08 embarcamos e as 22h estava em solo brasileiro no aeroporto de Guarulhos. Ainda pude me despedir de alguns companheiros de viagem com uma gostosa sensação de ter experimentado uma parte bem legal do jeito de ser da gente. 6/21/2008 Pondo em diasOs companheiros de viagem já voltaram para o Brasil. Depois de passarmos juntos três dias em Montréal, nove dias em Québec e cinco dias em Chicoutimi fica a saudade, o silêncio e a solitude. Foram bons dias de conversa, descobertas e passeios. Aproveitei com eles a oportunidade para estar aqui no Canadá como turista (coisa que não pude fazer com tranqüilidade). Bem, agora estou eu centrado no meu doutorado. Faltam dois dias para minha apresentação (exame de síntese). Preciso de toda concentração para manter as idéias em cadência e tentar vencer as inevitáveis barreiras lingüísticas. No momento, estou hospedado na casa de uma amiga, Martine. Uma professora talentosa que vive o começo de sua aposentadoria. Aproveito também para rever alguns colegas da universidade. Ontem fiz uma coisa que gostava muito: joguei bola! Foi bem legal (ganhamos), sobretudo porque é uma experiência bem interessante jogar com pessoas de vários países diferentes. Daqui para frente tenho que revisar o projeto e organizar algumas coisas antes do meu retorno.
Chicoutimi, 21 de junho de 2008.
2/22/2008 Bebidas nas estradasAtualmente estamos acompanhando as discussões sobre a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas estradas federais. Essas discussões têm sido polêmicas, acalorando as posições favoráveis ou contrárias de muita gente. Se por um lado existem várias pesquisas sobre o assunto (violência no trânsito) que apontam, em consenso, a forte relação entre ingestão de bebidas alcoólicas e acidentes no trânsito, por outro há muitos que defendem o direito de escolha do consumo e autonomia dos comerciantes, sobretudo bares e restaurantes localizados próximo às estradas. Uma das coisas que parecem estar por trás dessa polêmica desencadeada pelo governo e parte da sociedade civil é saber até que ponto o Estado deve interferir na vida das pessoas. Cada um sabe o que deve fazer? Cabe somente a repressão das polícias nas estradas coibirem os motoristas alcoolizados? A economia de mercado deve estar acima de qualquer interferência do Estado? O Canadá, um dos países considerado desenvolvido e que ainda mantém um bom nível de qualidade de vida, guarda em um dos seus estados, o Quebec, o controle estatal sob as bebidas alcoólicas. Lá o Estado regula toda a compra e venda de bebidas com teor alcoólico elevado (menos para as cervejas e o vinho – que podem ser comprados em supermercados, lojas de conveniência etc.). A loja do estado que controla as bebidas chama-se S.A.Q. (Sociedade Alcoólica do Québec) e só ela detêm o direito de comercializar bebidas alcoólicas, inclusive com horários controlados de funcionamento. Uma outra medida do governo do Quebec foi restringir o horário de funcionamento de bares e restaurantes, além de proibir a ingestão de bebidas na rua. O Canadá, que é um país considerado bem liberal adotou essas medidas e parece que vem reduzindo muito os problemas com o álcool... Bem, agora imaginem vocês se o Brasil adotasse isso? Não seria criticado (por uma parte dos próprios brasileiros) de autoritarismo?!
Petrolina, 22 de fevereiro de 2008. 2/6/2008 Em tempo de carnaval
Vou logo dizendo que gosto muito do carnaval do Rio de Janeiro. Admiro aquele grande espetáculo surgido da cultura do samba, mas o que me deixa irritado é o que algumas mídias tentam fazer: colocar o carnaval do Rio como O CARNAVAL DO BRASIL. Por mais que eu tenha críticas à massificação e ao processo de industrialização do carnaval de Salvador, por exemplo, concordo que a força do movimento carnavalesco da “soterópolis” impôs à grande mídia uma divisão da coroa carioca. Aliás, não só impôs uma divisão entre Rio e Salvador como abriu espaços para dizer ao mundo que o carnaval do Brasil não é só a Marquês de Sapucaí. O carnaval do Brasil tem a cara do Brasil, ou seja, tem várias caras. Tem a cara do Norte, com o bumba-meu-boi, tem as caras do nordeste, com Recife-Olinda-Salvador, tem a cara do sudeste... Eu acho tudo isso muito massa. Adoro os carnavais do Brasil (apesar de algumas coisas tristes que acontecem no carnaval de Salvador, mas isso é outra história e que depois posso falar sobre isso). Apesar dos protestos barristas da minha esposa, meu plano para um futuro próximo é conhecer o carnaval de Olinda. Sempre me vejo brincando, pulando e curtindo no meio daquela festa pernambucana. Eu acho que o barato do carnaval e que deve estar presente no espírito carnavalesco é o verdadeiro apreço pela diferença. Não existe o espírito natalino?! Bem, então proponho o espírito carnavalesco! E que seja bem dionisíaco! E isto significa, dentre outras coisas, uma afirmação radical em prol da diferença, da não forma pré-estabelecida e da loucura desvairada que cria e recria incessantemente, mas acima de tudo um amor alucinante ao outro, a outridade, porque ele, o outro, é necessariamente diferente, portanto altero.
Juazeiro, 06 de fevereiro de 2008.
12/29/2007 Minha BelaIsabela nasceu no ano da graça de 2007 (08 de novembro). Ela veio com um grande desejo especial de sua mãe (Lucimar). Chegou entre nós para iluminar nossas vidas e nos dar forças para atravessarmos as intempéries do momento. Isabela é minha mais nova musa, fonte inspiradora para enxergar a suavidade, a entrega e a sabedoria da vida. Uma aventura bela. E nessa aventura doutoral, outras aventuras se colocam de modo a mesclar e criar uma grande – a aventura de viver!
Juazeiro, 29 de dezembro de 2007.
O tempoOutro dia eu fiz 38 anos. Geralmente eu me sinto alto astral nesse dia, apesar de dizer que considero um dia como outro qualquer. O interessante em falar sobre isso aqui é registrar o quanto acho incrível constatar como o tempo passa tão rápido. Na minha cabeça foi ontem que eu tinha 28 ou mesmo 18 anos. Parece que a mente da gente não obedece esse tempo cronológico que, imperdoavelmente, marca sua hora no corpo. Este sim, é pontual, diria até factualmente histórico! Ele se impregna e não deixa marcas de dúvidas! Não tenho grandes problemas em envelhecer considerando o contexto juvenilista que vivemos. A minha ânsia é outra. Minha ânsia é querer viver tudo que quero viver, mas até isso, ou seja, essa fome de viver, parece que vai mudando de dimensão. O interesse não é mais cruzar mil montanhas, mil mares e conhecer mil mulheres. A ânsia continua, mas continua com outra energia. Uma ânsia de saber apreciar o brotar de uma flor, de curtir uma pescaria mesmo sem pegar um peixe, de sair para algum lugar e curtir o que rolar... Uma vez um grego escreveu sobre essa arte de envelhecer (Sêneca - talvez por isso "senilidade"). Adoro pensar, meditar e viajar sobre esse lance do tempo. Essa é uma dimensão humana virada!
Juazeiro, 29 de dezembro de 2007.
10/13/2007 AH! SE ELES SOUBESSEM...Essa minha dupla vida de educando-educador, mais acentuada na condição de estar professor e aluno do doutorado, tem me proporcionado perspectivas enriquecedoras que retro-alimentam tanto o lado educando, quanto o lado educador. Dentre várias situações interessantes, experimento o que a psicanálise chama de suposto saber. Falando de maneira simples, trata-se de atribuir ao outro, a depender da posição social que este ocupe, características, aspectos e qualidades da ordem da superioridade. Parece ser comum mantermos uma disposição de instituir ao outro um lugar que supomos de superioridade. Sei que esta explicação está longe da precisão conceitual psicanalítica, mas quero tão somente ilustrar a idéia de termos modelos e acharmos o outro como alguém diferente da gente, como se fosse extra-humano. Outro dia uma aluna disse que havia ficado surpresa ao saber das minhas confissões neste blog. Parecia que ela tinha uma idéia de que eu não sofria, de que eu não tinha medo em prestar um exame ou todo o tipo de vivência que qualquer aluno passa. Imagino que essa descoberta tenha feito bem para ela. De modo semelhante, uma outra aluna enviou-me uma mensagem dizendo que eu era seu modelo profissional. Admito que eu fiquei preocupado e respondi dizendo que ela deveria desfazer-se dessa idéia. Para minha surpresa, ela retornou a mensagem perguntando se eu também nunca tivera meus modelos. Calei a boca e concordei totalmente com ela, entendendo o significado dessa história toda. Para mim, a questão não é deixar de ter modelo. Acho que até é imprescindível para formação, mas a questão é saber desconstruir, ou melhor, reconstruir em si os modelos e superar o significado de algo extra-humano. Mas vejam, para mim só foi possível entender com nitidez esse jogo de construção e reconstrução de modelos porque tenho me permitido viver a dupla vida educador-educando. Considero que essa dupla vida independe de estar aluno de um curso ou de estar professor. Acho que é uma posição diante da vida e com os outros...
Remanso, 13 de outubro de 2007.
9/30/2007 Mais caminhoEsses dias têm sido realmente muito conturbados para mim. Além de uma série de problemas de ordem pessoal, aconteceu um fato desconcertante que diz respeito diretamente ao doutorado. Minha orientadora esteve no congresso da AFIRSE, em Natal. Embora não fosse participar do congresso havia marcado um encontro com ela no sábado, para acertamos as revisões finais do projeto antes do exame de qualificação. Aconteceu que perdi o ônibus de Petrolina para Natal[1]! Isto me deixou totalmente sem chão, pois perdi as passagens e não haveria mais tempo de encontrar com Marta antes do exame. Depois de uma noite mal dormida, fiquei pensando nesse acontecimento, juntamente com os outros me afligiam. Comecei a me dar conta do nível de implicação dessas coisas com o próprio objeto de estudo que venho me debruçando. Afinal, tenho estudado sobre a questão dos imprevistos. Fico me perguntando até que ponto mergulhamos toda a nossa vida naquilo que investimos, verdadeiramente, enquanto pesquisador? Será que os grandes gênios da humanidade não teriam também sucumbido aos seus fantasmas, as suas presas perseguidas, as suas idéias não teriam invadido suas vidas? Mas talvez não se refira apenas as situações de pesquisa ou aos casos dos gênios. Será que não diz respeito também às situações de formação profissional e aprendizagem? Já são as incontáveis vezes que ouço os desabafos de alunos de psicologia, por exemplo, relatando o quanto andam se identificando com as teorias da personalidade, com as psicopatologias... Haveria uma maldição ou uma “bem-dição” em se envolver ou se interessar profundamente com um objeto de estudo? Seria possível inferir a qualidade do processo de aprendizagem a partir do intrometimento ou invasão do objeto na vida pessoal do sujeito? Perguntas que não cessam de brotar... E quanto mais eu ando, mas percebo que tenho a andar. [1] EM Petrolina existe uma rodoviária pública e um terminal particular. Troquei as bolas e fui parar na rodoviária. Só fui me tocar que estava no ponto errado uma hora depois! Eu havia me programado em viajar de ônibus na sexta-feira e voltar de avião no domingo. Seria uma viagem muito cansativa, com longas horas de espera e pouco tempo para aproveitar a presença de Marta e curtir a linda cidade de Natal. 5/21/2007 HommageJe veux rendre un hommage à un grand homme que j'ai connu au Québec. Au moment quand je suis arrivé à Chicoutimi j'ai habité chez Georges. Avec lui, j'ai appris beaucoup de choses sur la culture du Québec et sur la vie. Je me rappelle des bleuets que nos avons ramassé à la forêt... J'ai connu un peu de son âme et à travers de lui j'ai découvert quelque chose de ces personnes appelées québécoises. Merci Georges, où tu sois.
4/7/2006 A IMPORTÂNCIA DE AMAR E SER AMANDOComo havia dito anteriormente, estava muito triste por causa de alguns baques que recebi. Havia ficado mesmo de baixo astral... Como de costume, logo cedo fui para universidade. Ainda triste, instalei-me na minha sala e comecei a jornada diária: consultando as mensagens na internet, planificando as atividades do dia para sem seguida dar continuidade ao projeto do doutorado. Vez por outra saia da minha sala para resolver algumas coisas na secretaria, no departamento ou mesmo saia para comprar um café na cantina. A cada vez que saia encontrava algum colega no corredor, algum amigo, alguns funcionários, alguns professores e mesmo pessoas que jamais havia visto antes. O curioso nisso tudo é que essas pessoas vinham falar comigo, apertavam minha mão, me convidavam para fazer alguma coisa, sorriam ou diziam simplesmente bom dia. Dei-me conta de que quando aqui cheguei pela primeira vez não conhecia ninguém e agora havia vários colegas, alguns amigos e a sensação de estar presente na vida das pessoas daqui, mesmo as estranhas. Essa consciência que tive abriu uma outra: como é importante se sentir amado, querido ou simplesmente confirmado pelos outros! E foi assim que ao final do dia havia recuperado minha vontade de continuar a lutar e sorrir para a vida! Obrigado aos meus amigos, obrigado aos que deixaram as mensagens de força no blog e Obrigado a todos vocês. 4/6/2006 Arriei as armas, cansei de lutar e entreguei os pontosOntem, eu já não estava muito legal. Estava me batendo com um texto-síntese que nunca satisfazia minhas orientadoras e tinha também vários relatórios a preparar antes do meu retorno para o Brasil. O tempo estava curto e eu agoniado com um monte de coisas! Para completar, recebi o resultado da minha demanda de bolsa da CAPES. Ao ver a mensagem, tive um mau pressentimento. Sabia que alguma coisa ruim tinha acontecido, pois não havia conteúdo na mensagem, apenas uma carta anexada. Dito e feito! Depois de tentar duas vezes a bolsa na CAPES, depois de criar tantas expectativas (pois o resultado da bolsa toca muitas coisas em minha vida), depois de ter gastado uma grana viajando à Brasília para fazer entrevista e depois de inúmeras lutas e sacrifícios recebo uma carta dizendo que apenas 3 bolsas foram concedidas para minha área e que eu havia ficado em quinto lugar! Ao terminar de ler a carta senti um amargo dentro de mim... Como esperança remota, na carta eles diziam que eu deveria enviar alguns documentos (uns 11!!!) porque caso ainda houvesse desistência eu poderia ser contemplado. A verdade é que perdi a força de continuar lutando... Senti-me mesmo revoltado. Confesso! Afinal, só faltam 2 anos! Afinal, vou voltar para o Brasil e ensinar na minha universidade (o que representa um ganho para o país em termos de formação diferenciada). Afinal, tenho recebido muito mais apoio de um país estrangeiro do que do meu país (a UQAC vem me concedendo inúmeras bolsas e vários contratos que têm ajudado a cursar o doutorado e viver aqui). Afinal, arriei as armas, cansei de lutar e entreguei os pontos. 4/2/2006 VéloComo vocês sabem, eu fico sempre na casa de Fernando quando estou em Montréal. Depois da minha apresentação do seminário do doutorado ainda estava me sentindo meio tenso e precisa fazer alguma coisa para descarregar a tensão. Foi então que Fernando sugeriu um passeio de bicicleta. Mas como?! Só ele tinha bicicleta! Eu não iria comprar uma, nem que fosse usada. Mas ele tinha uma solução!!! (no blog dele ele não revelou a história, mas aqui eu conto o que realmente aconteceu – rsrsrs – viu Fernando?!). - Marcelo, aqui no andar debaixo do prédio tem uma bicicleta que nunca vi alguém usar. Tem quase dois anos que moro aqui e os pneus da magrela só vivem vazios. Acho que alguém largou por lá (coisa comum por aqui). É só a gente pegar, encher os pneus e depois a gente bota de volta. - É mesmo Fernando!? Massa! De qualquer forma é só um empréstimo!! Bom! Dito e feito. Ele pegou a vélo dele e eu peguei a minha “emprestada”! Enchemos um pouco o pneu com uma bomba manual e depois terminamos de completar o serviço no posto. Resultado: o passeio foi fantástico!!! Vejam só as fotos! Pedalamos uma boa parte da cidade e no final estava relaxadamente cansado! 3/9/2006 O crepusculo e a alvorada vorazEu não tinha dimensão do que era a tal da “alvorada voraz”, que penetra douradamente de um modo cortante no Planalto Central chamado Brasília. Enfim, conheci Brasília, capital do nosso amado país! Sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Por isso fiquei sem pressa, só esperando alguma oportunidade aparecer. Eis que aqui estou, embora em estada breve, a conhecer um pouco deste lugar quase homogêneo e repetido em seus conjuntos de prédios e ruas; concebido, parido e agora quase andando com suas próprias pernas. Eis que aqui estou, mais no aeroporto do que em outro lugar, a tomar posse de impressões dessa gente de sotaques e caras de todos os lugares. No geral gostei e teria muito mais a dizer sobre aqui, mas no momento quero apenas comentar que acabo de cumprir mais uma etapa do meu processo de demanda de bolsa da CAPES. Rapaz! Que sufoco! Fui bombardeado de perguntas na entrevista! Mas não comi conversa! Respondi tudo com a segurança que pude ter. O processo seletivo é difícil e a quantidade de candidatos é muito grande. Certamente vários não obterão a bolsa. E se eu não conseguir!? Bem, se eu não conseguir a coisa vai ficar complicada... Talvez até eu tenha que tentar uma transferência do doutorado para o Brasil. Porém, minhas intuições são positivas para onde for dar o meu destino e carrega a esperança de um crepúsculo, como a fé em relação a luz que sabe do seu retorno após a escuridão.
3/5/2006 BEIJO BOLA DE SABÃOO carnaval sempre foi uma festa que muito me fascinou, mas não apenas pelo encanto dionisíaco da embriaguez e pela dissolução da consciência. O carnaval também sempre me exerceu um grande interesse enquanto manifestação social, expressão cultural e vivências individuais e coletivas. Todas as vezes que vou para o carnaval me percebo, vez ou outra, fazendo outros tipos de viagens... Pego-me zanzando em pensamentos sobre o que o carnaval me provoca. Foi assim também neste carnaval de 2006 em Salvador. De um tempo para cá um tipo de comportamento vem ganhando espaço entre os jovens e fazendo parte de discussões, normalmente polêmicas, entre pais e nos meios de comunicação. Trata-se dos beijos trocados as dezenas ou centenas entre os adolescentes durante o carnaval. Muitos desses jovens, nos blocos ou fora deles, se beijam sem nenhum compromisso. Beijam-se simplesmente porque se olham e querem se beijar. Normalmente, depois do beijo cada um parte para um lado, seguindo para o próximo beijo. Alguns também chegam a fazer competições ou contabilizam os beijos que deram/receberam durante o dia. Eu mesmo fiquei sacando esses contatos orais (que não eram só orais!) entre uns e outros... Realmente interessante como, sobretudo os jovens, passavam no meio da multidão indicando através de alguns sinais a disponibilidade de beijar e ser beijado. Agarravam-se, chupavam-se, lambiam-se, apertavam-se e logo seguiam adiante para um próximo contato cintilante e efêmero como a existência de uma bola de sabão. Esses “beijos bola de sabão” seriam uma sem vergonhesa?! Os beijos seriam expressão de uma permissividade vulgar?! Seriam expressões de uma sociedade de consumo que absorveu o beijo como uma coisa a ser consumida e que dá valor social!? Seria também expressão de uma juventude que não sabe lidar com os limites? Faria mal a saúde beijar tantas bocas em um mesmo dia?! Ou seria nada de mais?! Não haveria, nos carnavais de antigamente, comportamento semelhante? Esse “beijo bola de sabão" não seria uma gostosa brincadeira? Não seria um jogo sexual importante para o desenvolvimento dos púberes? O papo de condenar esses beijos não seria papo moralista e invejoso? Será que quando adolescentes, todos nós no fundo, não desejaríamos fazer o mesmo!? Qual seria a resposta? Haveria um certo ou um errado? Como compreender tudo isso? Perguntas como essas me pegavam e me levavam a refletir... Mas depois de um breve pensar logo eu estava, completamente esquecido, a dançar e cantar ao som de Claudinha Leite, do Babado Novo: “pirou minha cabeça...e o coração feito bola de sabão...”
2/6/2006 Arrumundo o armárioOutro dia eu peguei um monte de cartas antigas, pequenas lembranças, alguns documentos, agendas de uma boa parte da minha vida, velhos objetos empoeirados e piquei tudo no balde de lixo! Para mim seria impossível imaginar me desfazer dessas coisas. Na verdade eram entulhos que eu guardava em quatro pastas velhas em cima do armário. Nunca tive necessidade real desses objetos. Por anos e anos sempre estiveram em cima do armário sem alguma utilidade. Acho que só serviam para juntar poeira e para dar uma certa segurança em mim de que havia alguma coisa guardada... O interessante é que joguei tudo fora numa bela manhã, quando estava organizando minhas coisas na casa recém mudada, com toda tranqüilidade. Depois de tanto tempo, coisas que tinham muito valor para mim perderam completamente a importância e significado! Isto me deixou matutando um pouco... Será que eu estava iniciando alguma nova fase na minha vida? Será que coisas haviam morrido definitivamente em mim? Bem, não sei! O que sei é que muitas vezes “carregamos” coisas passadas, pesadas, empoeiradas e sem alguma utilidade (ao contrário, a poeira me fazia mal) em nossas vidas! Acho importante ter desprendimentos e estar aberto para as renovações na vida! Foi isso que aprendi! 1/31/2006 Lutando e de coração abertoEu não vou desistir não!!! Vou continuar lutando e tentando! Entrei com um pedido de reconsideração de mérito para bolsa. Além disso, estou aguardando o resultado de dois órgãos financiadores que havia dado entrada. Enquanto isso, eu estou trabalhando forte no seminário que irei apresentar em março. De qualquer forma, acredito que o melhor irá acontecer... não importa se irei conseguir continuar o doutorado no Canadá, se irei tentar transferir o doutorado para o Brasil ou que for. Estou lutando, mas também estou de coração aberto para o que vier como um bem vindo "destino". 1/21/2006 ENTREGANDO OS PONTOSComo vocês sabem, o ensino no Canadá é pago e para quem é estrangeiro mais caro! Sendo assim, é praticamente impossível para um professor brasileiro arcar com as despesas dos estudos nesse lado do mundo. Ou ele deve contar com alguma grana do próprio Canadá ou com bolsa. Esses dois casos não fazem parte da minha realidade... Pela segunda vez recebi a mesma resposta de solicitação de bolsa da CAPES: projeto indeferido! Meu Deus! E agora!? Estou no segundo ano e já me arrastei até aqui graças aos esforços da minha diretora (conseguindo pequenas bolsas, isenções, prorrogações, etc.). Tudo indica que já estou no limite para conseguir mais ajuda através dela e não posso esperar mais um ano para ver se meu projeto será aprovado. Bom, ainda espero o resultado do CNPq, que não boto muita fé... Talvez, na verdade, eu já esteja esgotado de lutar. Acho que estou entregando os pontos... 1/18/2006 QUANDO O MUNDO FICA PEQUENOCrianças muitas vezes vêm com cada uma de botar a gente grilado! Outro dia, meu filho, que se chama Matheus (7 anos), após uma conversa sobre as doenças e a poluição, disse: “Papai, antes eu achava o mundo bem pequeno e não tinha graça, agora estou me sentindo bem pequenininho...” Não é assim mesmo que as vezes me sinto também!?* Tem horas que sinto o mundo pesado, sinto-me cansado, na minha arrogância o mundo já deu tudo que tinha que dar. Porém há outros momentos que me sinto um quase nada, um grão na melhor das hipóteses... Acho que esse pêndulo de estar entre o grande e o pequeno não passa também no mundo da ciência e de quem a faz?
* Pelo menos foi a forma como eu apreendi o que ele estava sentindo. QUANDO OS SENTIDOS SÃO ARRANCADOSHá certas coisas durante a vida que nos fazem apreciar a existência de modo diferente. Ontem um amigo morreu e como de costume nesses momentos pensei no sentido ou na falta de sentido das coisas. O que vale mesmo viver? O que é mesmo importante na vida? O que faço e o que venho fazendo tem valido? Até que ponto esse doutorado é importante para mim e para os outros? E todo o sacrifício que tenho infligido aos meus por causa desse projeto? Talvez fosse mais justo afirmar que ao invés de dizer que existem coisas que nos fazem apreciar de modo diferente a vida, seria melhor dizer que existem certas coisas que nos arrancam sentidos?! |
|
|