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    9/17/2005

    Educacao: um grande negocio

    A matéria não é nova mais ainda é chocante. Trata-se de uma matéria do « Le monde diplomatique », chamada « Um rêve fou dês technocrates et des industriels: L’école, grand marche du XXIe siècle (1998) ». Vejam só um pequeno fragmento da mesma que nos faz lembrar filmes de ficção!

     

    A idéia é simples. Imaginemos que um jovem acessa vários fornecedores comerciais de ensino na Internet e obtém, pagando, "competência" em técnica, gestão e língua. Em relação ao grau de sua auto-aprendizagem, os fornecedores de ensino vão "creditar" os conhecimentos adquiridos. Esta "creditação" vai ser contabilizada sobre um disquete ("mapa") que será introduzido no seu computador, e que será ligado ao fornecedor. Quando este jovem for procurar um emprego, introduzirá o sue disquete na sua máquina e conectará um site de "ofertas de emprego", gerido por uma associação patronal. O seu "perfil" então será avaliado por um "software" e, se as suas "competências" corresponderem ao interesse do empregador, será então contratado. Assim, o patronato gerirá o seu próprio sistema sem mais se incomodar com o controle dos Estados e com o mundo universitário.

    (tradução livre, por Marcelo Ribeiro)

     

    Fonte: http://www.monde-diplomatique.fr/1998/06/DE_SELYS/10584

    8/30/2005

    Certificado de seguridade

      

    Como é sabido por todos, vivemos um período em que os direitos humanos vêm cada vez mais perdendo força por causa de uma série de fenômenos que têm ocorrido no mundo, sobretudo por causa da chamada “guerra do terror”. Eu sei que este assunto é bastante complexo e impossível de ser abordado de maneira satisfatória num espaço como este, mas mesmo assim gostaria de dar uma rápida opinião. Para mim, a chamada “guerra do terror” está relacionada com, ou beneficia, a criação de condições favoráveis para o amplo desenvolvimento do neoliberalismo. Assim, um dos empecilhos do neoliberalismo passa pela questão dos direitos humanos (direito a vida digna, saúde, educação, liberdade, etc...). Darei um exemplo concreto do que estamos vivendo: Embora o Canadá seja considerado um país progressista existe uma coisa horrível acontecendo (não só aqui, mas dou exemplo de um país onde se orgulha de valorizar a liberdade!), que é o chamado “certificat de sécurité” (certificado de seguridade). O que é isso? Simples: A qualquer momento, a qualquer hora, qualquer um pode ser preso em regime de segurança máxima, sem necessitar de provas, sem ter direito a defesa, sem passar por um processo jurídico convencional justamente por ser considerado como uma ameaça à sociedade. Algumas pessoas estão vivendo essa condição aqui no Canadá! Normalmente pessoas de origem árabe e que, supostamente, tiveram alguma relação com grupos considerados perigosos! Bem... E amanhã, quem será? Qual será a próxima justificativa? 

    4/27/2005

    40 anos de Globo

    Ontem a Rede Globo comemorou seus 40 anos! Foi um espetáculo digno de uma Broadway, com direito a comédias, danças, retrospectivas e toda gala e pompa merecedora de um evento global. A Globo festejou-se lançando para todos sua “cabeleira de mil olhos que tudo vê e tudo seduz”

    Particularmente, considero a forma como a comemoração foi elaborada de um cinismo sem tamanho, de um esquecimento patológico, de um oportunismo sem igual e de uma manipulação absurda!

    A história prova que a Globo (talvez seja a história das comunicações de massa, onde outras emissoras seguem o mesmo caminho, mas sem o poder de fogo que a Globo tem) cresceu e se prosperou com a ditadura militar, onde não só apoiou o golpe, mas pode reinar soberana na época da ditadura, obtendo ajuda dos militares. Subserviente como sempre foi agora tira onda de uma emissora democrática, crítica e até revolucionária, tentando “cuspir no prato que comeu” em relação ao período sombrio da recente história brasileira.

    A Globo também trouxe para seu grande aniversário vários cantores com diversos estilos musicais tentando mostrar-se eclética. Que disfarce fajuto! Esta emissora sempre foi homogênea, ditando normas e regras que mais convinham aos bolsos e interesses privados!

    Toda festinha (obviamente auto-promocional) passava a mensagem de progresso, uma mensagem moderna e modernizante, uma mensagem de bem feitoria para o Brasil, uma mensagem apartidária e celebradora da alegria e do bem comum. Que hipocrisia!

    Mas aquela farsa toda talvez permita reflexões e algumas analogias entre a plasticidade da Rede Globo e o próprio sistema hiper-consumista que vivemos. Primeiro porque tanto a Globo como o modus-vivendis neoliberal globalizado encarna uma dinâmica semelhante e regida, talvez, pelos mesmos princípios. Ambas se apropriam de discursos, ações, movimentos estético-culturais ou políticos que são contrários e questionadores. Tais coisas são apropriadas de modo que o que era “revolucionário”, questionador, protestador e criador, passam a ser incorporado a mesma lógica consumista. A diferença é que na incorporação se ganha uma “roupa” nova. Há o exemplo de alguns estilos musicais exibidos na festona global: músicas que eram muito questionadoras de grupos considerados “rebeldes” e marginais foram incorporados e exibidos pela grande emissora. O humor, que sempre teve uma forte tradição de romper com as amarras das dominações apareceram totalmente submissos. É como se todos estivessem rendidos ao poder global!

    Tudo isso parece também permitir pensar nos movimentos emergentes ou ex-emergentes que tentaram romper e criar um mundo diferente. Todos, um a um, foram engolidos e passaram a fazer parte do sistema.

    Fico a questionar e lanço algumas perguntas: será que esse poderio global (que não se resume, obviamente, a emissora global) irá sucumbir todos os movimentos de ruptura? Será que os movimentos de produção do novo tendem a ser incorporados e pervertidos pelo que já existe sem levar às transformações essenciais? Qual seria o movimento capaz de estar imune a tais tentáculos dessa medusa global?