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7/19/2008 PRÉ-CONCEITO EM TORONTOBehdad tinha acabado de chegar do seu curso de inglês e mostrou-me o texto que o professor havia passado como atividade de classe. O texto falava sobre as diferenças culturais, mas particularmente sobre o modo como as culturas lidam diferentemente com o tempo. Como exemplo, o texto trazia os estudantes brasileiros. Estes, mostrava o texto, chegavam sempre atrasados. E mesmo antes de finalizar a aula, professores e alunos saiam mais cedo do término. Ao compreender o texto fiquei deveras indignado. Achei um absurdo o tipo de texto que o professor do conceituado College George Brown passava para os alunos (estrangeiros) objetivando abordar as diferenças culturais! O texto não trazia nenhuma referência, não contextualizava a discussão, simplesmente jogava a idéia do brasileiro como preguiçoso e desorganizado (pelo menos essa foi minha interpretação – acho que não há necessidade de fazer grandes esforços para qualquer um ter esse mesmo tipo de interpretação). Imaginem vocês se há algum brasileiro fazendo esse curso?! Como vocês acham que essa criatura iria se sentir? Acho que não é preciso ir muito longe para perceber que há um aspecto de discriminação no ato desse professor (mesmo que ele não tenha a intenção de provocar e disseminar o pré-conceito). Tantas possibilidades de se falar de diferenças culturais! Mesmo entre os próprios canadenses! O professor utilizou de um texto que generaliza o comportamento dos brasileiros e que passa uma imagem negativa. Algo realmente lamentável, sobretudo para um professor! Obs. Para quem quiser tenho esse texto e posso enviá-lo digitalizado. 7/9/2008 A VIDA E O ESSENCIALNa verdade, eu não conheço muito a história dos índios na América do Norte e muito menos, de maneira específica, no Québec. Entretanto, o pouco que pude conhecer dos índios do Québec é que foram (muitas ainda vivem em reservas, mas perderam significativamente suas tradições culturais) nômades e viviam basicamente da caça, pesca e coleta de frutas silvestres. Andavam muito, acompanhando o ciclo da natureza. No inverno iam para Sul fugindo do terrível frio... Para viverem desse jeito não podiam carregar muitas coisas... Talvez por isso sejam considerados povos que não deixaram registros de muitos utensílios ou de artes bastante diversificadas (não estou querendo dizer que não possuam vestígios de produção artística, ao contrário! Os índios que se situaram na região que hoje é o Québec são muito criativos e produziram coisas belíssimas, como todos os outros povos autóctones). O que quero dizer com tudo isso é que talvez por causa do frio, do inverno constante, tivessem que produzir um tipo de existência essencial e isto para mim é fantástico. É fantástico porque passa a ser para nós uma grande lição de vida. Os índios carregavam apenas o essencial para sobreviver, valorizam o imprescindível. 7/4/2008 O CLIMA E O COMPORTAMENTOJá faz algum tempo que venho conversando sobre a relação entre o clima e o comportamento humano. Aliás, esta relação não é nem uma idéia tão original. Meu amigo Régis já vem acalentando o desejo de escrever alguma sobre isso. No Canadá, como muitos sabem, o frio é praticamente uma constante na vida das pessoas, ao ponto tal de rolar uma piada do tipo: no Canadá a vida é curta e o inverno é looongo! Durante todo o ano são praticamente 8 meses de muito frio. No solstício de inverno o sol nasce por volta das 10h e se põe mais ou menos as 16h. As pessoas precisam se adaptar a esse tipo de clima, mesmo com toda a tecnologia contemporânea a disposição. As pessoas precisam vestir muitas roupas, não dá para ficar muito tempo nos lugares externos (ao ar livre), há toda uma questão da alimentação que muda, etc. É muito provável que tudo isso influencie de alguma forma o jeito das pessoas se comportarem... O M UNDO PRIVADO DO CANADAExistem coisas aqui que realmente chamam atenção, sobretudo para um brasileiro acostumado com uma vida aonde a dimensão do coletivo é mais acentuada. Por exemplo, é considerado como recomendável, no que diz respeito as relações sociais, que se avise antes de fazer uma visita a qualquer um. Muito raramente alguém vai a casa do outro sem antes avisar, mesmo se tratando de amigos ou parentes. Uma outra curiosidade é que ao ser convidado para um jantar, digamos, a pessoa leva, comumente, algo para a casa do outro (um vinho, uma sobremesa). Dessas coisas o que mais me chamou atenção foi o convite de um churrasco que recebi. A pessoa que me acompanhava advertiu-me dizendo que deveríamos levar a nossa própria carne. Uma situação bizarra mesmo para mim! Em relação a esse mesmo tipo de situação, lembro de uma vez que fui convidado para um jantar onde havia muitas outras pessoas. Cada um levava seu prato (até aí tudo bem) e colocava numa grande mesa. Na hora de comer cada um comia exatamente o que levou. Entretanto, eu não sabia ainda desse detalhe. Inadvertidamente comecei a comer algumas outras coisas que estavam postas. Minha orientadora que também estava lá falou-me: Marcelo! Aqui cada um só come o que trás”. Para não perder a graça da situação eu disse: “Bem, vocês individualizam a comida e eu a socializo!”. Montréal, 02 de julho de 2008. 4/3/2006 CONSUMINDO O MUNDOEu precisava imprimir meu material do projeto para apresentação do seminário de metodologia, mas a tinta da impressora de Fernando havia acabado! Bem, seria muito caro pagar para imprimir numa dessas lojas que vendem serviços de escritório porque eu tinha várias páginas a imprimir. Pedi a Fernando os cartuchos de tinta vazios na intenção de reaproveitá-los, pagando menos do que comprando novos cartuchos. Sai da sua casa em direção ao Wal Mart com esse intento, embora ele tenha dito que sairia caro reaproveitar os cartuchos. Dito e feito! Os cartuchos não iriam poder ser reaproveitados, pois estavam danificados e comprar outros, mesmo recondicionados, sairia absurdamente caro; coisa em torno de R$ 150,00!!! E o que fazer naquele momento?!?! Dei uma passada no setor de eletrônicos e para minha surpresa encontrei uma impressora HP que era também copiadora e scanner por R$ 200,00. Detalhe: ela vinha com dois cartuchos novinhos!!! Acho que aí está um bom exemplo de um mundo que vem sendo construído para ser consumido cada vez mais! Talvez aqui no Canadá esse fenômeno ganhe contornos um pouco maior do que no Brasil por causa do poder econômico presente na sociedade, mas em níveis variados podemos observar em todas as partes a relação que nós estamos estabelecendo com as coisas que produzimos. As coisas não estão sendo feitas para servir, mas para serem consumidas numa voracidade impressionante!!! A história dos cartuchos e da impressora é um exemplo interessante à medida que mostra como um produto passa a ter valor ou perde valor a partir da capacidade de ser mais ou menos consumido. 11/7/2005 Kos KohlVocês sabem o que é “Kos Khol”? Bem, esta expressão iraniana que se pronuncia mais ou menos “cós-róle”, significa numa tradução literal vagina doida ou vagina idiota. Serve para designar alguém que é maluco, idiota, que faz besteiras... Esta expressão tornou-se popular aqui na residência. Foi meu amigo Behdad que a introduziu. A gente brinca com isso dizendo que depois de algumas décadas vai aparecer algum estudioso em língua para fazer uma pesquisa sobre esta expressão no vocabulário québécois. De onde terá surgido a expressão cosrolé (afrancesada)? Qual seria sua origem? Mesmo essa história da expressão iraniana sendo uma brincadeira é interessante sacar como as línguas vão se misturando, as culturas se mesclando e tudo se transformando...10/5/2005 DiversalOntem o período do Ramadan começou. Meu amigo e companheiro de residência, um iraniano que se chama Behdad, como todo muçulmano praticante vai se abster de água, comida, cigarro e sexo, durante o dia, até 04 de novembro. Seu calendário persa marca o ano de 1384. Outros colegas de origem árabe e, obviamente, muçulmanos, também estão no período do Ramadan. O calendário árabe marca o ano 1426. Tanta diferença, não é mesmo!? Mas posso garantir a vocês que, apesar das diferenças, vejo muita igualdade! No mundo cristão não teríamos também um período dedicado ao jejum?! Não existiriam algumas recomendações de sacrifícios como prova de ascese espiritual?! Ouço desses meus colegas semelhantes orientações de amar o próximo, ajudar os necessitados, de compreender o outro, etc. Vejo suas carências, seus medos, seus anseios, suas esperanças, seus complexos. Vejo-os e posso me identificar! Ao mesmo tempo em que somos muito diferentes um dos outros somos muito parecidos também! É por isso que proponho um nome para pensar essa dimensão que combina o diferente e o universal: o diversal! O ser humano é diversal!
9/27/2005 Village gayEste final de semana aceitei o convite de Fernando. Foi muito bom sair um pouquinho da pacata Chicoutimi para experimentar a vida na cosmopolita Montréal! Queria falar tantas coisas que vivenciei por lá, mas isso demandaria um tempo para escrever que não tenho agora. Só para dar uma idéia geral vou falar, por enquanto, do Village gay.
Em Montréal existe uma área que é conhecida como Village Gay. Lá existem vários bares, restaurantes, lojas especializadas e muitas discos. Rolam muitas coisas, sobretudo as mais variadas bicharadas do planeta! A diversidade é a palavra chave! Há lugares só para gays velhos que caçam garotos, de lésbicas, de gays jovens que caçam velhos, de bissexuais, de turistas, de heterossexuais, há lugares que embola tudo, lugar de som pesado, de som latino... Ninguém está aí para ninguém. As pessoas podem viver e expressar sua sexualidade numa boa, embora existam algumas críticas que consideram o Village ainda como um gueto! Confesso que precisei de um tempo para me acostumar um pouco, mas logo achei natural duas meninas se beijarem na minha frente, dois garotos trocarem carícias ao lado e um quarteto de rapazes na maior putaria num dos palcos, tudo isso enquanto dançávamos. Foi uma grande experiência. Uma experiência divertida, mas acima de tudo uma experiência humana no sentido de sacar algumas coisas relativas a sexualidade humana, a vida cosmopolita, a diversidade, ao mundo privado, a individualidade...
9/26/2005 Todo mundo quer amorExistem coisas que parecem ser de uma dimensão bem ampla do humano. Não importa muito a cultura e as diferentes histórias dos indivíduos, algumas coisas parecem marcar todo ser humano. Ver e sacar as diferenças culturais e individuais é tão interessante quanto sacar a nossas generalidades. Eis uma música dos Titans que Fernando mandou para mim:
Todo Mundo Quer Amor
9/16/2005 O baba IIAinda bem que o espírito grego reinou no campo e o futebol cumpriu seu espírito de integrar. Hoje todos jogaram e curtiram a arte de jogar bola! Não houve segregação, não problemas por causa das diferenças... Houve gol, boas e péssimas jogadas e alguns lances engraçados. Ah! Meu time ganhou! 9/15/2005 O babaUma das coisas que gosto muito de fazer aqui é bater um babinha (esta é forma que os soteropolitanos – nascidos em Salvador - costumam chamar partida de futebol) com os colegas da universidade. Apesar de não ser um bom jogador, curto muito esse momento de integração entre os colegas de Marrocos, Tunísia, Camarões, Costa do Marfim, Argélia, França, Canadá, Hungria, Turquia, Egito, Iran, Peru, Colômbia, etc. Esse contato é muito rico em vários sentidos, inclusive para sacar que as integrações não são tão fáceis, mesmo numa partida de futebol. Observo aqui, que alguns dos problemas de não aceitação de diferenças são transpostos para outros continentes e até para o campo de futebol! Por exemplo, parece haver um problema entre os africanos negros e os árabes, mesmo que ambos sejam mulçumanos. Outro dia, num baba de domingo, ficou óbvia a divisão. Num campo jogavam os árabes e no noutro campo os africanos negros. Foi uma divisao vonlutaria e que causou mal estar. Apesar de estarei na mesma universidade e em outro país parecem transpor suas questões. Não sei até que ponto a própria universidade ou mesmo a associação dos estudantes é ciente desse problema. Suspeito que problemas como esses possam ter conseqüências maiores do que uma “simples” segregação num campo de futebol. Fico imaginando, a partir desse pequeno exemplo, as implicações das dificuldades em lidar com essas diferenças em lugares onde existem a convivência multicultural e a diversidade étnica. 8/28/2005 Tambem somos indiosCerta feita, quando participava de um colóquio do doutorado (escrevi algo aqui sobre esse colóquio), uma professora daqui do Québec ficou brincando comigo por causa do meu hábito de tomar banho mais de uma vez ao dia. Lembro-me da minha resposta também jocosa: "é o meu sangue índio..." Sim, os índios tinham (têm) uma relação muito forte com os rios, lagos, riachos, enfim, com a água! Seja por causa do calor ou seja por causa da própria relação com a natureza... A questão é que a resposta saiu espontaneamente, mas me fez pensar sobre como me senti orgulhoso em dizer que em uma parte de mim corria “sangue índio”... No fundo sabia que minha resposta era maluca, no sentido de reconhecer que não existia um sangue em si que condicionava meu comportamento.... Na verdade falava em termos de cultura... E, particularmente, de uma tradição cultural indígena que muito me orgulhava! Não sei se ela sacou ou mesmo como interpretou minha resposta, mas uma coisa parece certa: falta-nos um auto-reconhecimento de que também somos índios – com muito orgulho, obrigado!
Falamos portugues!Para mim foi uma surpresa perceber que várias pessoas daqui do Canadá, embora admirassem o Brasil por suas singularidades, não sabiam que no Brasil se fala português. E isto me fez pensar e sacar um monte de outras coisas... Por exemplo: a extraordinária façanha do Brasil, com o seu tamanho, ter guardado uma única língua (Gilberto Freire fala um pouco sobre isso em “O povo brasileiro”), considerando que ele é cercado por países espanofônicos! Essa presença portuguesa, ou melhor, essa mescla portuguesa presente numa parte da América é muito importante! Constituímos uma cultura tão singular (claro que existem outros elementos que não só a influência portuguesa que nos faz bem singular) que somos vistos como realmente diferentes por todo o mundo, inclusive pelos irmãos da América do Sul (mesmo que não se saiba que aqui se fala o português). Talvez falte a gente sacar a importância dessa singularidade, mas ao mesmo tempo sem entrar numas do melhor isso ou do melhor aquilo! 8/25/2005 O frio e o comportamentoComo é curiosa a presença constituidora do clima no comportamento das pessoas, sobretudo no que de respeito a alguns aspectos do jeito de ser do quebecois! Aliás, essa é uma curiosidade tão grande que já chegou a ser motivo de meu interesse e de Régis (um outro brasileiro que mora aqui) em escrevermos um livro sobre o assunto. Talvez já exista alguma coisa detalhadamente escrita sobre o tema, mas ainda não tive o privilégio de conhecer algo que tenha ultrapassado a mera constatação (se alguém souber alguma coisa me avise, por favor!). Só para vocês terem uma idéia vou citar alguns exemplos de observações que fazemos aqui no Québec sobre essa relação do clima – comportamento. Costuma-se dizer por aqui que no Québec a vida é curta e o inverno é longo. Os quebecois passam boa parte do tempo vivendo temperaturas que variam entre 10° a - 40° (é claro que existe verão com calor e é também uma linda estação). O que estou querendo dizer é que embora haja as quatro estações bem definidas e que elas sejam devidamente belas não há como negar que este é um “país” do frio! Consequentemente, as pessoas precisam viver bem agasalhadas – o corpo quase não é mostrado e passa boa parte do tempo debaixo de um monte de roupas – isto pode influenciar o jeito das pessoas andarem, se relacionarem com o próprio corpo e com o corpo dos outros. Como faz muito frio (muita neve, nevascas, etc.) as pessoas não circulam em lugares públicos ao céu aberto, como praças, praias, ruas, etc. (exceto no verão, onde existem muitas atividades nesses espaços). As pessoas ficam muito tempo em casa ou em lugares fechados – mais uma vez isto pode contribuir para criar uma série de situações que vão influenciar o comportamento das pessoas. A alimentação é outro ponto. No inverno é preciso ingerir mais calorias, pois se perde com facilidade por causa do frio. O fato das estações serem bem definidas e o inverno ser “duro y largo” as pessoas precisam desenvolver uma cultura de organizar antecipadamente as coisas, de prever situações, de se programarem (todo o tempo as pessoas checam as previsões meteorológicas antes de saírem de casa). Bem, estes são alguns exemplos que, se devidamente explorados, poderiam ajudar a compreender um pouco essa relação entre clima e comportamento. 8/16/2005 Mania de grandeza?!Ontem estava conversando com minha orientadora do doutorado (que é uma argentina que morou no Brasil, mas que migrou para o Canadá). Num determinando momento ela fez uma brincadeira dizendo que no Brasil existe uma mania de grandeza: O melhor país do mundo... O maior estádio de futebol... O maior isso... O melhor aquilo... Como não podia ficar por menos disse que era despeito de argentino, mas no fundo não pude deixar de admitir que havia um pouco de verdade em sua provocação. Às vezes sinto que nós brasileiros oscilamos entre uma ufania e a desvalorização total da gente. Talvez esses momentos de “berço esplêndido”, de “Deus é brasileiro”, de “povo mais criativo”, etc. sejam momentos pendulares da oscilação. Como poderíamos reconhecer nossa importância, nossos valores singulares e nossas exuberâncias sem cairmos num “umbigo do universo”? Como podemos nos reconhecer sem estarmos afetados por um sintoma de fraqueza que tenta compensações a partir de exibições, muitas vezes ilusórias?! 6/25/2005 Diferenças culturais 2Como eu estava falando na história anterior sobre as “diferenças culturais” é incrível como essas questões relacionadas sobre a diferença podem chegar. Apesar da situação contada ter sido um pouco curiosa não é menos séria e importante para a atualidade, onde vivemos de forma intensa e muito complexa a chamada globalização. Algo tão antigo para humanidade e tão conhecido dos adolescentes (de nossas sociedades) ainda é uma grande ânsia e necessidade de muitos, de comunidades e até de grupos étnicos, a saber, o par diferença/igualdade. Parece que há uma necessidade de querer ser igual ao outro e ao mesmo diferente. O problema, talvez, seja o como se busca ser igual ao outro ou como se busca ser diferente ao outro. Serão estas questões abertas para ética? 6/17/2005 Diferencas culturaisOutra dia eu estava numa festinha. Aniversário de uma colega. Estava meio deslocado de início, mas após encontrar um cantinho num sofá e de tomar uns dois goles de whisk as coisas começaram a ficar mais aconchegantes. Sentei-me casualmente próximo de uma coroa pernambucana e de um baiano alegre. A conversa circulava em torno de diferenças culturais. Sabe aqueles papos de que na minha cidade se fala assim, na minha se fala assado? Pois o papo foi esquentando nesse sentido sobre a diferença passando para uma verdadeira disputa entre Bahia e Pernambuco. Aliás, esta disputa já é clássica! Bem, eu sei que a disputa já tinha chegado ao nível de certas qualidades... Assim, um dizia de um jeito purpurinado: você sabia que lá na Bahia os pivetes roubam até policial!? E a outra rebatia: Ah meu filho, lá no Pernambuco o negócio é mais brabo, o bandido é que controla o comércio com taxas de vigilância! Olhe aqui, levantou-se dizendo de modo indignado a bichinha caeteneada, você está pensando o que?! A Bahia é recordista em violência, minha filha! E a Pernambucana, não deixando por menos respondeu na mesma moeda: Pode até ser, mas no Pernambuco o bandido é mais cabra macho! Bem, eu não vou ficar aqui contando o desenrolar dessa história para vocês, mas vejam só até que ponto chega o barrismo!
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