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4/19/2009 Vergonha na caraParece que tenho tomado vergonha na cara. Aos poucos estou voltando ao trabalho da tese. Nesse momento final que me encontro não tenho mais saco de fazer grandes recenseamentos literários sobre o assunto. Aliás, nem deveria! Preciso me concentrar justamente na fase final, o que me impele a ter uma postura diferente do começo da tese, o que também não impede de continuar com as leituras e com as buscas teóricas ou descobertas de outras experiências. A verdade é que tenho lido muito revistas de popularização sobre educação infantil. Essas revistas têm sido ótimas, pois trazem reportagens, resenhas de livros, textos curtos e específicos sobre os assuntos que me interessam. Tenho tido condições de manter uma leitura ampliada sobre o assunto e, ao mesmo tempo, tenho conseguido “pescar” coisas interessantes para a minha pesquisa em geral. Mas o interessante é que justamente no final da minha aventura tenho descoberto nessas revistinhas (não há sentido pejorativo aqui) um valor incrível, coisa que no começo certamente não valorizava!
Para quem quer conhecer um pouco mais dessas revistas sugiro a leitura, por exemplo, da Revista Educação Infantil (editora Segmento).
Voando entre Recife e Petrolina, 2009. Não estamos sósVivi uma sensação de alívio quando descobri que não sou apenas eu. Isto aconteceu em uma das minhas viagens para Brasília quando encontrei um colega que é professor da UNEB. Freud já há muito falava do quanto a humanidade poderia ganhar em termos de saúde mental se descobrisse que a desgraça individual fosse uma infelicidade coletiva. Isto significa dizer que sofremos muito ao acreditar que só nós, individualmente, único ser em todo o mundo, carregamos certa experiência dolorosa. Por outro lado, quando descobrimos que não estamos só, que existem outros vivendo experiências semelhantes, sentimos um certo reconforto e a infelicidade da amarga experiência, seja ela qual for, passa a ser mais suportável. Realmente, estava me sentindo super mal com o fato que não produzir quase nada em relação ao meu projeto doutoral. Havia muita cobrança interna para trabalhar na tese e, ao mesmo tempo, a coragem e determinação para colocar isso em prática não surgia. Junto a isso, me envolvia com os afazeres do dia-a-dia da universidade que trabalho de tal modo que me consumia por completo. Reencontrei meu colega no saguão do aeroporto de Recife e, enquanto esperávamos o vôo da nossa conexão, batíamos um papo sobre as nossas andanças acadêmicas. Ao relatar o meu estar e tudo mais ele confidenciou-me que estava passando situação semelhante. Também havia se envolvido com várias coisas e que não estava conseguindo se dedicar integralmente para finalizar seu doutorado. Depois disso, demos risada porque pudemos compartilhar nossas mazelas e perceber que não estávamos sós!
Voando entre Recife e Petrolina, 2009.
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