marcelo's profileAventura DoutoralPhotosBlogLists Tools Help

Blog


    10/18/2009

    A MIRÍADE DO OBJETO

    Acabo de terminar a redação da tese. É certo que o trabalho não foi definitivamente concluído. Talvez tenha começado a parte mais minuciosa, que é a revisão detalhada, a leitura geral escrutinada e a tradução para o francês. Ao mesmo tempo em que tenho consciência de todas essas tarefas a serem cumpridas, tenho a boa sensação de algo fechado, concluído (mesmo que parcialmente), acabado...

     

    Fico aqui a pensar, isso me parece inevitável, no percurso, no caminho, na estrada doutoral que vivi pé a pé, passo a passo, emoção a emoção. Algumas abstrações eu extraiu dessa aventura toda, sobretudo no que diz respeito à minha aprendizagem profissional e pessoal, fruto das experiências todas. Dito isto, aqui focarei apenas uma milésima parte, que é a busca de um objeto (de pesquisa) perdido ou que se pretende encontrar.

     

    A miríade do objeto de pesquisa se configura em seu começo como um esboço, uma idéia relativamente delineada que o pesquisador faz em seu projeto de pesquisa. A miríade é justamente um quantum, uma quantidade indeterminada, porém grandíssima de tudo aquilo que se deseja buscar (obviamente apoiado pelas metodologias, sejam elas as mais “duras” ou as mais “moles”).

     

    Ao final da jornada, resta ao pesquisador a percepção de uma espécie de resultado dos jogos de espelho, em que os reflexos construídos do objeto, que sofreu transformações (as vezes mínimas, as vezes drásticas) ao longo da pesquisa, configuram-se como uma imagem composta como aquela que surge em um caleidoscópio.

     

    Ao chegar na derradeira fase da tese, tenho a sensação de dever cumprido, mas também de inacabamento.  Muito provavelmente, esta ambígua sensação tem a ver com a ilusão do pesquisador que, como o viajante perdido no deserto, percorre uma determinada trajetória em busca do oásis enquanto efeito provocado pelas condições do próprio deserto. O pesquisador também percorre um caminho a partir da miríade do seu objeto. Este, em si, nunca será alcançado porque não existe em si e porque é sempre escapável. Apesar dessa inútil busca, o esforço não deve ser desprezado, pois é justamente por causa da busca que se produz o conhecimento, não em alcançar, mas em percorrer.

     

    Foi, portanto, na “estrada” desse projeto e desta tese, que pude testemunhar uma série de construções e descobertas que fizeram sentido no limite proposto pelos objetivos e questões da própria pesquisa.